Criar é preservar: Porquê (PARTE 1)

Resolvi escrever esse artigo depois de receber e ler várias críticas de pessoas que acreditam que eu sou uma ameaça quando digo a elas que sou criadora de canários. Isso tem tirado o meu sono... será que sou mesmo isso? Logo eu que sempre me considerei uma protetora dos animais, que já adotei cachorros de rua e que inclusive já comprei várias aves em lojas por elas estarem em condições lastimáveis, muitas vezes sem água e sem comida...

Será que logo eu, que proíbo qualquer um de caçar aves silvestres ou qualquer outro animal no sítio onde eu moro no interior do Rio de Janeiro, devo ser julgada e condenada por ter por volta de 200 canários de cor em gaiolas?

Talvez o fato de eu morar em uma pequena cidade no interior tenha causado esse mal entendido, ou será que talvez o fato dos moradores daqui em sua maioria não terem a menor idéia de que existe um Campeonato Brasileiro de Canários de Cor influenciou o julgamento deles? Então, antes de alguém me condenar novamente, eu me explico: Para quem não sabe, canários de cor, ou canários belga como costumam ser chamados, não são animais silvestres, não são da fauna brasileira e nem de outro lugar qualquer no mundo. O canário belga dos dias de hoje é resultado de vários cruzamentos ao longo do tempo e o seu parente mais próximo (originário das Ilhas Canárias) nem sequer se parece com ele!

Gente, de acordo com o IBAMA, o canário belga é considerado animal doméstico, ou seja, ele é tratado como um cachorro ou um gato: Por acaso alguém é preso por crime contra a natureza ao andar na calçada com seu cachorrinho de estimação? É claro que não. Assim como ninguém é preso ao passear com seu canarinho belga por aí.

Mas sejamos mais claros ainda, de acordo com o IBAMA, com base no Art. 2° da Portaria n° 93 , de 07 de Julho de 1998:

"Para efeito desta portaria, considera-se:

III - Fauna Doméstica: Todos aqueles animais que através de processos tradicionais e sistematizados de manejo e/ou melhoramento zootécnico tornaram-se domésticas, apresentando características biológicas e comportamentais em estreita dependência do homem, podendo apresentarfenótipo variável, diferente da espécie silvestre que os originou."
Além disso temos o Art. 13°, que diz: "São isentos de quaisquer tramitações junto ao IBAMA, os espécimes da fauna doméstica de conformidade com a lista objeto do Anexo l da presente Portaria e os produtos e subprodutos da fauna silvestre brasileira e exótica considerados artigos de uso pessoal. Parágrafo Único - Consideram-se artigos de uso pessoal, os espécimes mortos, as partes, produtos ou subprodutos de fauna silvestres que sejam propriedades de um particular e que constituam ou se destinem a constituir parte de seus bens ou objetos pessoais."

Fonte: Por Adriana S. Duarte
Criadora de Canários de Cor
Sócia AICC nº 271

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