Fóssil de primeiro pássaro extinto da ilha da Madeira


"Espécie tem pernas maiores e asas ligeiramente menores que corujas da área continental"

Uma equipe de cientistas descobriu na Ilha da Madeira, em Portugal, fósseis que pertencem a uma espécie de corujas já extinta no local. Batizada com o nome científico de Otus mauli, o animal, que foi o primeiro pássaro caçador noturno descrito na área, se extinguiu após a chegada dos humanos na ilha, segundo os pesquisadores.

Os paleontologistas afirmaram que os fósseis encontrados pertencem a um animal 'com pernas mais longas e asas ligeiramente menores que as das outras corujas da Europa continental'. 'A espécie se alimentava de invertebrados e também de lagartos e pequenos pássaros', disse Josep Antoni Alcover, um dos autores do estudo, publicado no periódico Zootaxa, que documenta novas descobertas.

'É provável que a extinção desta espécie esteja ligada à chegada dos humanos e à fauna trazida por eles', explica Alcover. Ele também detalha que contribuiu para o desaparecimento da Otus mauli um padrão sistemático de extinção ocorrido virtualmente em todas as ilhas do mundo.

Segundo os pesquisadores, entre outras causas da extinção está a destruição do habitat, uma vez que a Ilha da Madeira viveu uma série de incêndios nos anos seguintes à chegada dos portugueses. Além disso, foram introduzidos no ecossistema pássaros com doenças não familiares aos animais nativos, além de roedores que se alimentavam de ovos mantidos próximos do solo.

As pesquisas em torno da Otus mauli também têm seu foco na habilidade de voo do animal. Uma espécie similar está sendo investigada em Porto Santo, uma ilha próxima à da Madeira, e isso pode significar que a capacidade de migração do animal é mais limitada que a das corujas da área continental. 'A distância entre as ilhas seria o bastante para isolá-las', diz Alcover.

Os estudos sobre os fósseis encontrados deu esperanças aos pesquisadores, que pretender descobrir no futuro próximo 'todo um mundo que desapareceu apenas há algumas centenas de anos'. 'A mesma coisa acontecerá na Ilha de Açores, onde já há evidências de que as corujas diferentes daquelas encontradas em Madeira e no continente já estão extintas', conclui o paleontólogo.

Fonte: Jornal Dia Dia
Foto: Pau Oliver / Divulgação

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