Como obter sucesso na criação de canários


O canário pertence à família dos fringilídeos. No Brasil, duas raças inicialmente destacaram-se e despertaram o interesse das pessoas amantes da criação de pássaros. São eles o Frisado Parisiense ou Francês e o Belga ou Hamburguês. Entretanto, até o final do século passado, a criação de canários era muito pouco difundida, vindo a se desenvolver sobretudo na Alemanha, onde se projetou como o mais notável centro de canaricultura.

Canários, a paixão dos ornitólogos

Em geral, existe um ponto em comum entre os criadores de canários – a paixão. Este entretenimento faz com que o criador se esqueça das coisas do mundo de fora do canaril. Com a correria do dia a dia, esta atividade torna-se uma grande opção contra o estresse, podendo até se transformar em um importante complemento no orçamento familiar. É, com certeza, um hobby fascinante e saudável. Além disso, a criação em cativeiro faz com que as espécies se mantenham.

Quem cria canários “participa de um completo ciclo de vida, ou seja, desde o acasalamento, a postura, o choco, a eclosão dos filhotes, seu crescimento, sua separação dos pais, a preparação para concurso, vitórias, ou até mesmo derrotas. Todo este processo depende exclusivamente do carinho, observação e sensibilidade de um criador”, afirmam os professores Fábio M. Hosken e Marcelo H.F. Maluf

Histórico

Os primeiros canários foram encontrados por volta de 1402, nas Ilhas Canárias. Os espanhóis, quando ocuparam a ilha em 1478, descobriram a docilidade dos pássaros e a possibilidade da criação em cativeiro. No entanto, os primeiros a terem êxito na criação foram os Monges. Em 1559, descreveram o canário da seguinte maneira:

- Pequeno, 12 centímetros no máximo;

- Cor atraente, verde amarelo e um pouco acinzentado com escuros nas asas;

- Dorso com raias pretas;

- Peito igual ao dorso;

- Bicos e pés pretos;

- Canto alto e sonoro.

A venda dos pássaros era monopolizada pelos espanhóis, que somente vendiam os machos, para evitarem que outros pudessem reproduzi-los. Até que, em 1662, houve um naufrágio de um navio Espanhol na Europa. Este navio estava com um carregamento de canários que foram soltos pelos tripulantes, espalhando-se pela Europa. Foi assim que encerrou o monopólio Espanhol.

A primeira mutação do canário amarelo pertenceu primeiramente à rainha Elizabete. O Canela, a segunda mutação, aconteceu em 1709. Na Alemanha, em 1880, o destaque aconteceu com o aperfeiçoamento do canto, em uma aldeia chamada Harz. Surgindo, então, o canário de canto ou Roller.


Em 1885, apareceram os primeiros canários de fator. Neste caso, não houve mutação, e sim, um cruzamento entre um Tarim da Venezuela com um canário de cor (híbrido fértil). Os canários Isabéis também não são originários de mutação e sim de cruzamento entre Canela e Ágata.

Em 1900, surgiu o Ágata, a terceira mutação, em 1908, os Brancos. Em 1910, aconteceu o “Primeiro Congresso de Canaricultura”, na cidade de Leipzig. E, com o tempo, foram acontecendo os aperfeiçoamento nas cores, no canto e no porte.

Os canários de porte tiveram sua origem na Inglaterra onde, até hoje, encontram-se os melhores canários de cada raça. Os nomes foram dados de acordo com a cidade de origem.

Aquisição de canários

Para o sucesso da criação, alguns princípios básicos são de inteira importância para que o iniciante não abandone prematuramente a criação, desiludido com os erros involuntariamente cometidos.

É importante que, ao iniciar, o criador nunca crie mais de uma linha de cor. Isto é, existem mais de 400 cores de canários reconhecidas no mundo. Todas controladas geneticamente por meio de acasalamentos adequados, que são divididos em linhas (grupos de canários com mesmas características genéticas) e com padronizações definidas pela OBJO (Ordem Brasileira de Juizes de Ornitologia) e da F.O.B. (Federação Ornitológica do Brasil). O maior interesse e a paixão pelos pássaros acontecem normalmente quando surgem novas mutações.

Quando alguém se interessa pela criação de canários, em primeiro lugar, deve procurar um clube ornitológico para associar-se. Posteriormente, pensar no local de criação e, somente depois, adquirir os pássaros. Um cuidado especial deve ser tomado na hora de adquirir as matrizes. Deve-se ter sempre em mente a procura de pássaros saudáveis e, de preferência, jovens. Para êxito nesta busca, vale ressaltar a paciência, pois as visitas às lojas ou criadouros (canaril) são de vital importância. O local deve satisfazer as regras básicas de higiene e saúde.

Encontrado o local, passa-se à escolha dos canários. Devem ser observadas as pernas, os pés, a região ao redor do bico e narinas, se elas estão completamente limpas e lisas, livres de qualquer infestação. Dê preferência por canários que tenham sido anilhados. A anilha é como se fosse o registro da ave, a certidão de nascimento. É um pequeno anel metálico , contendo alguns dados sobre a ave, principalmente o ano de nascimento. Preferencialmente, tente adquirir pássaros do ano corrente ou, no máximo, do ano anterior. No caso de pássaros adultos, procure aquele que tenha somente duas chocas.

Os meses para uma boa compra de pássaros são os meses de março e abril, quando o criador tem uma maior possibilidade de escolha. Neste período, nunca deixe para última hora. Ao iniciar uma criação, adquira, no máximo, cinco casais. Procure por aqueles de excelente qualidade. É preferível um menor número de casais bons e caros do que dez a quinze casais baratos e de qualidade ruim. Um alerta: desconfie se lhe for oferecido um pássaro de boa qualidade a baixo preço.

Todos os pássaros recém adquiridos devem fazer a quarentena. Isto é, deve-se deixá-los em observação para confirmar se estão realmente sadios. Este tempo de isolamento pode ser, no máximo, de quinze a vinte dias. Este período é suficiente para manifestação de possíveis doenças. Ao fim da quarentena, os pássaros podem ir para suas gaiolas no canaril.

Uma sugestão importante é procurar o diretor técnico de seu clube para uma boa orientação. É interessante também procurar ler bastante sobre as cores que pretende adquirir.

Fonte: Andréa Oliveira/Fábio M. Hosken/Marcelo H.F. Maluf
Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org


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